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Thiago Calil, do R7

Em 2009, ainda dava meus primeiros passos na carreira como repórter no extinto jornal Diário de S.Paulo. Lembro claramente quando, numa segunda-feira, 30 de setembro, cheguei para trabalhar com um e-mail de minha editora ordenando que, a partir daquele momento, um novo portal de notícias deveria ser incluído em nosso monitoramento. Era o R7.com, lançado pelo Grupo Record na noite anterior, durante o Domingo Espetacular.

Naquele momento ainda não fazia ideia de que boa parte da minha trajetória estaria ligada a esse grande nome de apenas dois caracteres. Crescemos juntos, amadurecemos juntos e hoje, uma década depois, seguimos inquietos buscando mais.

O Portal que fala com você

O R7 não nasceu para ser mais um portal de notícias. A logo, em formato de balão de diálogo, simbolizava que aquela plataforma falava com o internauta. E ainda o faz. Multiplataforma, está no computador, no celular, na televisão. É notícia e é entretenimento. É portal, é YouTube, é rede social, é aplicativo e ainda vai ser muito mais. Nós falamos, mas também ouvimos e vivemos com o internauta.

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“A gente acabou aproveitando um nicho de mercado, sem ter qualquer pudor em ser a porta de entrada para a pessoa que chegava na internet naquele momento. A gente não tinha a menor vergonha de ser classe C. Ao contrário”, relembra Antônio Guerreiro, atual vice-presidente de jornalismo da Record TV e fundador do R7. “A gente está falando de uma época que a rede social era o Orkut”, destaca.

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Edu Garcia/R7
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A chegada do Portal movimentou o mercado jornalístico. Isso porque o Grupo Record investiu em profissionais renomados para compor o time do veículo. Entre os colunistas estavam Fabíola Reipert, Heródoto Barbeiro, Nirlando Beirão, Rosana Hermann, Cosme Rímoli, Ricardo Kotscho, Rubens Ewald Filho, Daniel Castro e muitos outros.

A orientação para eles era a mesma que é cobrada dos repórteres até hoje, como Guerreiro faz questão de evidenciar. “Aqui ninguém adquire nada, a gente compra. Aqui ninguém redige nada, a gente escreve”, conta o vice-presidente. "O R7 é voz ativa, não é voz passiva. Ele é sempre linguagem muito direta, muito pensando na pauta: mexeram na taxa Selic. Não estou preocupado com a taxa Selic, quero saber o que isso mexe no bolso das pessoas", ressalta.

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Reprodução
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Arquivo pessoal
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Essa linguagem, segundo o executivo, foi um dos méritos do Portal para conquistar rapidamente seu espaço. “Foi muito ao encontro do jornalismo que a Record TV já fazia naquela época. Um jornalismo mais direto, com uma linguagem mais clara, com repórteres que se misturam ao povo. A gente conseguiu levar isso para o R7.com e foi um fenômeno.”

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Arquivo pessoal
Sem tédio

O fato de ser um veículo que assumiu seu público e, mais do que isso, se identificou com ele, permitiu ao Portal diversas vezes se divertir junto com os internautas.

Ou seja... quem imaginou que um dia estaria trabalhando normalmente quando um stripper vestido de motoboy chegaria com um rádio portátil e começaria a tirar a roupa? Em 2010, foi exatamente isso que aconteceu. A cena inusitada era um “presente” de Marcos Mion para Fabíola Reipert, foi toda registrada para o Legendários e causou um alvoroço em quem trabalhava sem entender nada o que estava acontecendo.

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A mesma irreverência se deu em 2013, quando a brincadeira das redes sociais eram os vídeos dançando Harlem Shake. Parecia um dia comum de trabalho quando começaram a subir caixas e mais caixas vindas diretamente da cenografia. Por alguns minutos, todo mundo parou o que estava fazendo para “soltar suas feras”. Perdão pelo trocadilho, mas foi uma auto-homenagem (sim, eu sou o que apareço de tigre no vídeo).

Também em 2013, diante da comoção em torno da morte de Reginaldo Rossi, comentei com a Paola Correa, então repórter de música do Portal, que o artista merecia mais que um obituário. Ela concordou de imediato e acionou o time responsável pelos vídeos, capitaneado até hoje por Josmar Bueno Junior. Não demorou muito para câmeras aparecerem na redação e, em coro, cantarmos a inevitável Garçom.

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O que essas histórias têm em comum é o fato de que ninguém barrou uma ideia. Pelo contrário. Elas foram sempre incentivadas e, identificada a viabilidade, executadas. Para alguns, parecia bobeira. Mas é curioso quando alguém novo chega na equipe hoje e, anos depois, pergunta como foram esses dias. Era algo muito nosso, mas que também falava de alguma forma o que as pessoas estavam sentindo naquele momento.

Em todo lugar

Essa identidade única também é algo que está no DNA do Portal. Aline Sordili, cofundadora do R7.com e diretora de Planejamento e Desenvolvimento de Jornalismo da Record TV, relembra o trabalho durante os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, como um dos mais marcantes. “O R7 foi lançado depois que as Olimpíadas já estavam vendidas. A própria Record TV já tinha vendido as Olimpíadas para o Terra. Mas a gente tinha mais distribuição, sinais ao vivo, que o próprio Terra”, conta. “Foi uma cobertura super extensa, 30 dias na paulada, mas muito legal de fazer".

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Reprodução/R7

Resultados como esse, segundo a diretora, vem justamente da inquietação. “O grande mérito do R7 é sempre buscar estar onde a audiência está, levando conteúdo e informação onde as gerações, os novos consumidores podem estar”, frisa.

O diretor de Conteúdo Web, Domingos Fraga, responsável pela redação do R7, explica que ao longo desses dez anos o portal mudou o seu enfoque, deixando, paulatinamente, de atender a um público ávido apenas pela vida das celebridades e do entretenimento para a realização de matérias mais profundas, sem deixar de lado a simplicidade que o marcou desde o início.

"Falando dos famosos ou destrinchando as nuances da Lava Jato, os nossos jornalistas sempre têm como foco a busca pela informação acessível, sem grandes elocubrações, mas qualificada. Foi isso que fez o nosso sucesso. E é isso que vai nos levar à liderança no segmento. Cada vez mais, vamos investir na produção de um noticiário parrudo na política e na economia. Queremos não apenas audiência, mas relevância e ressonância", destaca.

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E, dez anos depois, com novas redes sociais, novos jeitos de se comunicar, para onde vai o Portal? O investimento no noticiário do momento deve ser o nosso norte. “Acho que o R7 vai ser cada vez mais uma referência também para público entrante de hoje, mas de tradução da notícia. Eu brinco que o R7 tem que ser um grande Google Translator, ele tem que traduzir o que está acontecendo no Brasil e no mundo”, aponta Antônio Guerreiro.

Na era das Fake News, a credibilidade segue sendo o principal diferencial. “Tem informação em tudo quanto é lugar. Agora informação com curadoria, que o jornalista profissional olhou, que ele checou, rechecou, a credibilidade, os princípios, os valores, isso você pode esperar do R7”, completa o vice-presidente de jornalismo da Record TV.

A notícia é aqui

Em dez anos, as notícias que foram publicadas no Portal surgiram por diferentes meios. Mas nenhuma apareceu de forma tão marcante quando o incêndio que destruiu o auditório do Memorial da América Latina, em novembro de 2013. As chamas e, principalmente, a fumaça estavam “do outro lado da rua”, na janela da redação.

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Thiago Calil/R7

Se por um lado, havia um lugar que nos permitia acompanhar parte do trabalho de combate ao trágico incêndio no prédio vizinho, por outro lado também lidávamos com as consequências dele. A fumaça invadiu a Record TV, provocou grande movimentação das pessoas que trabalham na emissora e exigiu esforço gigante para não deixar o internauta sem informação.

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A prova de que tamanho empenho compensa vem de histórias como a do vendedor ambulante Wilson Alberto Rosa. Preso injustamente acusado de roubo, ele conseguiu a liberdade após o caso ser denunciado pelo R7 em matéria feita pelo ainda estagiário Kaique Dalapola. Hoje repórter do Portal, ele passou dois meses acompanhando de perto o desenrolar da história, até finalmente comemorar a liberdade da vítima.

Visitas ilustres

Outro fato curioso na rotina de um veículo de comunicação do tamanho do R7 é receber a visita de personagens importantes do cenário político, social e artístico. Em 2010, ainda como pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff esteve na redação e conversou com jornalistas do Portal. O mesmo se repetiu ao longo do tempo com ministros, senadores, deputados, governadores, etc.

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Na área de entretenimento, nomes da televisão e da música também deram as caras. Até aí, normal. Mas disputar quem tem o popozão mais bonito do Brasil durante o expediente não acontece todo dia. Eu fiz isso em 2015 – e perdi, claro – com as candidatas a Miss Bumbum (lembram que eu disse que ninguém para a gente?).

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Arquivo pessoal

Mas entre políticos e famosos, cantores e autoridades, duas visitas foram as que mais se destacaram em todos esses anos. A primeira, com a dupla Patati Patata. Os personagens, além de bagunçar a vida de todo mundo em tom de brincadeira querendo saber como fazia para entrar em A Fazenda, deixaram uma repórter mais vermelha do que nariz de palhaço ao ser flagrada pesquisando como eram os atores sem a maquiagem.

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Reprodução
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Arquivo pessoal
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O segundo momento foi quando Xuxa Meneghel, recém-contratada da Record TV, esteve na redação do R7, em 2015, para participar de uma reunião. A apresentadora saiu do elevador, falou “Oi, gente. Boa tarde” enquanto andava e deixou todo mundo sem reação com a visita surpresa. Claro que, no fim do encontro, não faltou gente na fila para tirar foto com a estrela do Dancing Brasil.

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Blad Meneghel

Essas são só algumas das memórias de dez anos de R7.com. Mas, o mais importante, é que, embora esse texto se encerre por aqui, a história do portal segue sendo construída. Seja por mim, que estou entre os mais antigos de casa, seja pelos que estão chegando agora na equipe. Mas principalmente por você, que é parte fundamental do trabalho de todo mundo que coloca o R7 no ar. A gente nasceu dialogando com você. A gente cresce dialogando com você. A gente vai seguir dialogando com você.

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Reportagem: Thiago Calil e Camila Juliotti
Edição: Tatiana Chiari
Fotos: Edu Garcia
Arte: Sabrina Cessarovice
Vídeo: Edimar Sabatine, Caíque Ramiro, Danilo Barboza, Marisa Kinoshita e Luciano Gonçalves de Souza