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Por Romeu Piccoli, repórter do Jornal da Record
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Divulgação/Record TV

Quando começamos uma reportagem, nós nunca sabemos como ela vai acabar. Existe uma ideia inicial, mas o que acontece no decorrer do trabalho é o que dita os nossos rumos. Na série Mulas, que foi ao ar no Jornal da Record entre os dias 6 e 10 de junho de 2022, não foi diferente.

Para realizar a série, nós mergulhamos no universo das mulas do tráfico de drogas, as pessoas contratadas para transportar o entorpecente de uma região ou de um país para outro, e percorremos regiões escolhidas como rota do tráfico de drogas em três estados do Brasil.

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Arte/R7

Também estivemos na fronteira com a Bolívia, entramos em um presídio, conversamos com muitas mulas e com as pessoas responsáveis pelo combate a esse braço do narcotráfico.

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Reprodução/Record TV

O que nós percebemos é que as mulas sabem que estão fazendo algo ilegal mas não se dão conta do risco que correm. Essas pessoas, geralmente, não têm histórico no crime. Não pegam em armas e não conhecem o dono da droga. Inclusive, é esse perfil "acima de qualquer suspeita" que as quadrilhas procuram.

Cerca de 90% dos detentos aqui são chamados mulas do tráfico. Aquelas pessoas que nunca se envolveram com crime. Foi por uma ocasião ou por uma questão financeira

Fernando Ricardo Ernesto, diretor da Penitenciária Itaí

Só que, quando a mula é presa, ela fica sujeita às mesmas penas que o traficante. Afinal, naquele momento em que está viajando com a droga escondida no corpo, na mala ou no carro, ela faz parte do esquema do tráfico de drogas, uma atividade que envolve muito dinheiro e muita violência e que financia outros tipos de crime.

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Reprodução/Record TV

Acho que, mais do que em pessoas que são presas por outros motivos, o arrependimento é algo muito presente entre as mulas. Elas não fazem parte daquele mundo, não estão acostumadas.

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Reprodução/Record TV

Nós conseguimos depoimentos muito sinceros, como o de um jovem ucraniano. Ele é um ex-militar, esportista, e afirma nunca ter usado drogas. Aceitou a proposta de pegar cocaína na Bolívia e levá-la para o seu país, principalmente, devido à oportunidade de conhecer a América do Sul. A guerra na Ucrânia começou quando ele já estava preso no Brasil. Ele chora quando fala sobre isso. Queria estar defendendo sua cidade e sua família. 

Eu sou um idiota, pensei. Primeira vez na cadeia, primeira vez de prisão na vida, nunca tive problema com polícia

Dimitro Anastasov, detento ucraniano

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Reprodução/Record TV

As mulas, aparentemente, ganham um bom dinheiro. Mas o preço que elas pagam quando são descobertas é muito maior.     

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Arte R7

Na escuridão do pantanal, acompanhamos uma operação. O clima é tenso. Os policiais não sabem se os homens estão armados e se vão revidar.

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Reprodução/Record TV

Eles não encontram armas. Mas droga tem bastante. São cerca de 30 quilos de cocaína já refinada para o consumo.

Ainda em Mato Grosso do Sul, nossa equipe vai até o posto Guaicurus, no município de Miranda.

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Reprodução/Record TV

É um lugar estratégico, fica na BR-262, a menos de 200 km da fronteira com a Bolívia, um dos maiores produtores de cocaína do mundo.

A rodovia liga Corumbá ao Espírito Santo, passando por São Paulo e Minas Gerais.

Nós acompanhamos a fiscalização em vários ônibus que passaram pela rodovia e flagramos a apreensão de drogas que estavam na mochila de um passageiro.

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Reprodução/Record TV

O homem de 24 anos levava 800 gramas de pasta de cocaína. Ele diz que receberia R$ 600 para transportar a droga. E que só aceitou a proposta porque estava jurado de morte por causa de uma dívida de droga.

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Reprodução/Record TV
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Arte R7
Bastidores
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Divulgação/Record TV
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Divulgação/Record TV

Fiquei muito impressionada como pessoas que até então não tinham envolvimento com o mundo do crime se iludem pela promessa de dinheiro fácil e acabam pagando um preço muito alto

Gabriela Coelho, produtora da série

O interessante dessa série é que conseguimos ter uma linguagem audiovisual incrível. O público acompanha com riqueza de detalhes vários pontos da rota do tráfico no país

Alfredo Feierabend, editor da série

Se quiser entender melhor as punições para essas pessoas que transportam drogas, ouça também o podcast sobre a série especial. Celso Freitas e o repórter Romeu Piccoli conversam com o advogado criminalista Telêmaco Marrace.


Reportagem: Romeu Piccoli
Cinegrafista: Lúcio Salgado
Auxiliar Técnico: Valdir Gomes
Iluminador: Luis Augusto Donola
Produtora: Gabriela Coelho
Editor de Texto: Alfredo Feierabend
Editor de imagens: Luciano Lima
Coordenadora de pauta: Rosana Teixeira
Chefe de Redação: Patrícia Rodrigues
Edição: Cloris Akonteh
Coordenador Transmídia: Bruno Oliveira
Coordenador de Criação e Arte: Matheus Mercadante Vigliar